Visões do Além-Mundo
recepção do Monasticismo egípcio no Apocalipse de Paulo
Palavras-chave:
Apocalipse de copta Paulo, História Cultural, monasticismo egípcio, submundo no Egito, cristianismo tardo-antigoResumo
Sob a perspectiva da História Cultural, este artigo analisa o Apocalipse de Paulo no contexto do cristianismo egípcio tardo-antigo, tomando as pesquisas de Valtair Miranda como ponto de partida para novas aproximações com a documentação. A partir da circulação e recepção da obra em ambientes monásticos e da análise de passagens da versão copta editada por Lanzillotta e van der Vliet, se investiga como determinadas representações do além-mundo participaram da construção de modelos de conduta cristã. Os capítulos 24 e 40 evidenciam uma crítica à ascese desvinculada da humildade, da hospitalidade e da misericórdia, enquanto a presença de Amente demonstra a reelaboração de repertórios egípcios do mundo dos mortos no interior de uma estrutura cristã de julgamento e punição. O Apocalipse de Paulo revela, assim, processos de apropriação e transformação cultural característicos do cristianismo no Egito tardo-antigo.