Pedagogia da finitude
teatralização, suplício e memória fúnebre no Ocidente medieval
Palavras-chave:
ritos fúnebres, memória cultural, corpo, morte, Idade Média, história socialResumo
Este artigo propõe uma investigação histórico-cultural das relações entre ritos fúnebres, tratamento do cadáver e produção de memória no cristianismo latino ocidental (séculos XII a XV), concentrando-se na França e na Península Ibérica. Em diálogo com autores da memória cultural e da antropologia do corpo, o artigo sustenta a hipótese de que práticas de sepultamento, comemoração, exibição, punição e representação do morto funcionavam como disputas pela inscrição social do falecido, pela continuidade da linhagem e pela delimitação da comunidade. Para tanto, a pesquisa articula a história social da morte, a memória cultural, a antropologia simbólica e a espacialidade dos sepultamentos, demonstrando que a pompa funerária, a exposição punitiva, a iconografia macabra e a localização do túmulo atuavam como práticas distintas de mediação entre corpo, pertencimento, autoridade e lembrança. Por fim, conclui-se que os ritos fúnebres operavam como dispositivos dinâmicos de negociação da memória e da hierarquia social.