O final longo de Marcos (16.9–20)
evidências textuais, testemunho patrístico e recepção canônica
Palavras-chave:
Final longo de Marcos, crítica textual, patrística, recepção canônicaResumo
Os versículos de Marcos 16.9–20, conhecidos como final longo de Marcos, ocupam posição relevante no debate sobre a transmissão textual do segundo Evangelho. Este estudo examina a perícope distinguindo quatro questões relacionadas, mas não idênticas: originalidade textual, autoria, antiguidade e circulação, e recepção canônica. A análise é organizada em quatro eixos: evidência manuscrita, testemunho patrístico, evidência interna e coerência teológica. Embora o trecho esteja ausente nos códices Vaticano e Sinaítico, ele é preservado na ampla maioria dos manuscritos gregos e possui antiga recepção eclesial. O testemunho de Irineu constitui evidência patrística explícita de sua circulação no século II, enquanto Papias, Justino e a tradição do Diatessaron oferecem indícios de força diferenciada. A análise interna mostra que as objeções de vocabulário, estilo e continuidade narrativa não são conclusivas, mas também não permitem estabelecer isoladamente a autoria marcana. A coerência teológica do trecho com o restante do Novo Testamento contribui para compreender sua recepção canônica, sem funcionar como prova de originalidade textual. Conclui-se que Marcos 16.9–20 é um testemunho muito antigo e amplamente recebido pela tradição cristã, embora a questão de sua presença na forma original do Evangelho permaneça debatida.