BEM-AVENTURADOS OU FELIZES?
A VISÃO ESCATOLÓGICA E PARADOXAL DAS BEM-AVENTURANÇAS E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O HEDONISMO CONTEMPORÂNEO
Palavras-chave:
Bem-aventuranças, Inversão escatológica, Escolha tradutória, Hedonismo contemporâneoResumo
A presente comunicação propõe uma leitura do trecho referente às Bem-aventuranças nos evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas. Destaca-se a questão sinótica envolvida na perícope; a inversão escatológica presente nas declarações de Jesus sobre os bem-aventurados; e as implicações deste paradoxo bem como da escolha tradutória “felizes” para o termo hoi makárioi tendo em vista o credo contemporâneo da felicidade. Tal leitura sugere que a tensão entre o “já” e o “ainda não” fortalece as esperanças para o futuro, efeito contrário ao produzido pelo anseio moderno de felicidade “aqui e agora”. Além disto, conclui-se que encarar as bem-aventuranças com a visão atual do termo “feliz” e deslocá-las da visão escatológica significa porta aberta para exatamente o oposto. O eudemonismo cristão não é guiado pela disposição interna do indivíduo, mas pelo que Deus declara a seu respeito, não se restringe às pequenas porções de felicidade já experimentadas nesta vida, mas mantém os olhos fitos na plenitude que o aguarda.