A MORTE COMO TABU CONTEMPORÂNEO
REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E A NEGAÇÃO DA FINITUDE
Resumo
A negação moderna da morte, embora busque minimizar a dor, compromete a capacidade de encontrar sentido tanto na vida quanto em seu fim. Este artigo apresenta como a morte é percebida e vivenciada nas sociedades contemporâneas, analisando as transformações culturais que moldaram essa relação. Partindo do conceito de “morte interdita”, de Philippe Ariès (2012), discute-se como a modernidade deslocou a morte da esfera pública para o espaço privado, tornando-a um tabu. Por meio do conceito de “representações sociais”, de Roger Chartier (1991), o texto examina como práticas culturais e simbólicas moldam as percepções e atitude da vida cotidiana. A análise interdisciplinar integra ainda as críticas de Byung-Chul Han (2022) à modernidade tardia, que busca “matar a morte” ao neutralizar sua negatividade e esvaziar o morrer de significados existenciais. Por meio de uma revisão bibliográfica que dialoga com as obras de Ariès, Chartier e Han, o artigo propõe uma integração da morte como parte do ciclo existencial, sem negá-la ou instrumentalizá-la.