ETARISMO
IMPACTOS COGNITIVOS, LINGUÍSTICOS E SOCIAIS NA VIDA INDIVIDUAL E COLETIVA IMPACTOS NA PESSOA IDOSA NO BRASIL
Palavras-chave:
etarismo, pessoa idosa, cognição e linguagem, intergeracionalidade, políticas públicasResumo
O etarismo constitui uma forma de discriminação estruturada a partir da idade e afeta de modo profundo a vida da pessoa idosa, repercutindo em sua saúde, em sua participação social, em sua inserção no trabalho, em sua autonomia e em sua capacidade de construir e sustentar narrativas de si. O objetivo deste artigo é analisar os impactos individuais e coletivos do etarismo no Brasil, com ênfase nos planos cognitivo, linguístico, social, jurídico e político, articulando contribuições dos campos da cognição e linguagem, da gerontologia social, da psicologia do desenvolvimento, do direito e das políticas públicas. O estudo justifica-se pelo acelerado envelhecimento populacional brasileiro e pela permanência de práticas institucionais, culturais e discursivas que invisibilizam o envelhecimento ou o reduzem à incapacidade. Metodologicamente, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica e documental, baseada em revisão narrativa crítica de documentos oficiais, legislação, relatórios internacionais e artigos acadêmicos indexados em bases científicas. Os resultados indicam que o etarismo atua como um dispositivo simbólico e material de exclusão, manifestando-se por meio de estereótipos, preconceitos e discriminações que afetam o acesso ao trabalho, à saúde, ao cuidado, ao convívio intergeracional e às tecnologias digitais, além de comprometer processos de linguagem, reconhecimento social e agência subjetiva. Conclui-se que o enfrentamento do etarismo exige políticas intersetoriais, educação intergeracional, reordenamento das instituições de longa permanência, inclusão digital e uma mudança cultural orientada à dignidade, à pluralidade das velhices e à participação ativa da pessoa idosa na vida social.