REPRESENTAÇÕES MONÁSTICAS NO APOCALIPSE APÓCRIFO DE PAULO
Abstract
A relação entre o Apocalipse de Paulo e o contexto monástico do cristianismo primitivo evidencia como as narrativas contidas no manuscrito refletem ideais ascéticos direcionados a uma audiência composta, provavelmente, por monges ascetas e líderes religiosos envolvidos com o cristianismo no Egito e em outras regiões do Mediterrâneo. Valendo-se da tradução de Valtair Miranda (2022), este artigo examina como práticas ascéticas, como jejum, castidade e penitências, são representadas nas revelações, explorando também o contexto de sua produção. Além disso, discute-se o contexto de sua produção, marcado pela consolidação das práticas monásticas, pela defesa da ortodoxia frente a heresias e pela relação entre a Igreja e o Estado durante os séculos III e IV. Empregando uma análise interdisciplinar que inclui contribuições de historiadores e teólogos, o artigo apresenta o manuscrito como um reflexo de um cristianismo em transição, no qual valores ascéticos são integrados ao imaginário religioso de sua época.