O Juízo sobre Jerusalém na Carta aos Exilados
Estudo Exegético Jeremias 29.16-20
Palavras-chave:
Jeremias, exílio babilônico, juízo divino, profetismoResumo
Este estudo apresenta uma análise exegética de Jeremias 29.16–20, perícope inserida na carta enviada pelo profeta Jeremias aos exilados na Babilônia após a primeira deportação de Judá em 597 a.C. O trabalho examina o texto a partir da tradução do hebraico, da delimitação literária, da crítica textual e da análise de sua coesão interna. A investigação também considera o contexto histórico do período babilônico, marcado por instabilidade política, deslocamento populacional e crise religiosa. Observa-se que o oráculo se dirige especificamente aos habitantes que permaneceram em Jerusalém após a deportação inicial, denunciando a falsa segurança religiosa que os levava a rejeitar a palavra profética. A repetição da tríade de juízo — espada, fome e peste — evidencia o caráter de julgamento anunciado por YHWH contra aqueles que recusaram ouvir os profetas enviados. A análise textual demonstra ainda a presença de variantes nas tradições manuscritas, especialmente na Septuaginta, que omite essa seção do capítulo. Do ponto de vista literário e teológico, a perícope destaca a autoridade da palavra profética e a responsabilidade do povo diante da revelação divina. O texto revela que a permanência em Jerusalém não representava privilégio espiritual, mas expunha a persistência da desobediência e da resistência à voz de Deus. Assim, Jeremias 29.16–20 reforça o contraste entre o juízo destinado aos que permaneceram na cidade e a esperança oferecida aos exilados que se submetiam ao propósito divino no contexto do exílio.