A acomodação da linguagem humana na descrição dos decretos de Deus feitos na eternidade
Palavras-chave:
Linguagem, Eternidade de Deus, TempoResumo
Este artigo aborda sobre as dificuldades inerentes à tentativa humana de descrever, por meio da linguagem, os decretos eternos de Deus. O estudo parte do pressuposto teológico de que Deus é atemporal, enquanto o ser humano está condicionado ao tempo e à linguagem que reflete essa limitação. A pesquisa, fundamentada em revisão bibliográfica de autores como Grudem, Calvino e Agostinho, explora como a linguagem, especialmente os verbos e expressões temporais, é insuficiente para expressar realidades que transcendem o tempo, como a eternidade de Deus e seus decretos. O estudo analisa exemplos bíblicos e demonstra que expressões como “de eternidade em eternidade” ou “antes da fundação do mundo” são tentativas humanas de traduzir conceitos atemporais para um paradigma compreensível, ainda que impreciso. O conceito de “acomodação da linguagem”, segundo Calvino, é central para entender como as Escrituras comunicam verdades divinas em termos acessíveis à mente humana. O artigo conclui que a limitação linguística impacta a formulação de doutrinas e sugere que a compreensão da atemporalidade divina pode oferecer novas perspectivas para debates teológicos, como os que envolvem eleição e predestinação, propondo investigações futuras sobre a relação entre tempo, linguagem e revelação bíblica.